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Bancos antecipam abrandamento do PIB e baixam previsões para 2008

15 Mayo 2008

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A economia portuguesa deverá ter abrandado nos primeiros três meses deste ano, afectada por uma travagem do investimento e por uma conjuntura internacional mais desfavorável, estimam os departamentos de research do BPI e do banco Santander, numa antecipação aos dados oficiais que serão publicados hoje.

De acordo com os analistas destes dois bancos, o PIB nacional deverá, durante o primeiro trimestre, ter registado uma variação face ao período homólogo do ano anterior de 1,7 por cento, um resultado que representa um recuo face aos dois por cento verificados na fase final de 2007. O crescimento em cadeia previsto pelos mesmos analistas é de 0,4 por cento, menos do que 0,7 por cento do quarto trimestre do ano passado.

Os primeiros números oficiais para o valor do PIB no primeiro trimestre deste ano serão divulgados durante o dia de hoje pelo Instituto Nacional de Estatística, através de uma estimativa rápida.

A projecção de abrandamento feita pelo BPI e Santander para o início deste ano constitui também um indicador de que o resultado final de 2008 pode ser mais fraco do que se esperava. No BPI decidiram já rever a projecção de crescimento para este ano de 1,8 por cento para 1,6 por cento. No Santander, mantém-se para já a previsão de 1,8 por cento, esperando-se, como explica o economista-chefe, Rui Constantino, "para saber se o recuo no investimento agora registado se irá manter no segundo trimestre". "A nossa previsão para o final do ano foi feita tendo como base uma retoma do investimento e se ela não se vier a confirmar seremos forçados a mudar as nossas projecções de crescimento" afirma.

Revisões em baixa para a economia portuguesa já foram feitas, com mais agressividade, pelo FMI e pela Comissão Europeia. Vítor Constâncio também já disse que o Banco de Portugal iria corrigir a sua estimativa de dois por cento de crescimento para 2008.

Entretanto, a previsão do Governo de 2,2 por cento tornou-se praticamente impossível de concretizar. E é provável que o Governo aproveite a entrega, amanhã no parlamento, das Grandes Opções do Plano e do Relatório de Orientação da Política Orçamental, para efectuar uma revisão em baixa das suas estimativas. O primeiro-ministro, José Sócrates, já revelou que o Governo está à espera dos números do PIB no primeiro trimestre, que hoje serão conhecidos, para reavaliarem as suas projecções económicas.

Vizinha Espanha trava

O desempenho mais fraco do investimento é, dizem os analistas, a principal razão por trás do previsível abrandamento da economia portuguesa no primeiro trimestre. Mas outro motivo, que promete acentuar-se com o decorrer do ano, é, como assinala Paula Carvalho, economista do BPI, "o pior desempenho dos nossos parceiros comerciais".

O principal destino das exportações portuguesas é a Espanha e as notícias que chegam do país vizinho estão longe de ser positivas. O instituto de estatísticas espanhol anunciou ontem que a economia cresceu 2,7 por cento no primeiro trimestre, o pior resultado dos últimos seis anos.

O resultado ainda é melhor do que o português, mas revela o forte abrandamento que se está a registar em Espanha. Nos últimos três meses do ano passado, a variação homóloga do PIB tinha chegado aos 3,5 por cento. O próprio Pedro Solbes, ministro das Finanças, admitiu a "desaceleração rápida" da economia, que se deve, sobretudo, à quebra do investimento no sector da construção, uma componente que contribuiu decisivamente para o período de expansão registado nos últimos anos.

A quebra da procura interna está também a levar a um abrandamento das importações, um fenómeno que deve preocupar as empresas exportadoras portuguesas.

O Governo liderado por Zapatero já reviu em baixa as suas projecções de crescimento para este ano e o próximo, apontando agora, em ambos os casos, para uma variação do PIB de 2,3 por cento.

Publico.PT

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