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21 Mayo 2009
As instituições financeiras emprestaram mais às famílias e às empresas em Março do que nos meses anteriores. Sinais de retoma na concessão de crédito em Portugal, depois do forte abrandamento nos últimos meses.
As instituições financeiras emprestaram mais às famílias e às empresas em Março do que nos meses anteriores. Sinais de retoma na concessão de crédito em Portugal, depois do forte abrandamento nos últimos meses.
O ritmo de crescimento homólogo dos empréstimos continua baixo, mas os últimos dados
apontam para que o mercado de crédito esteja a começar a reagir e a recuperar da crise financeira, com os montantes a subir mês após mês.
De acordo com os dados que constam no Boletim Estatístico divulgado hoje pelo Banco de Portugal e já noticiados pelo Negócios na semana passada, em Março, os bancos financiaram 747 milhões de euros para novos créditos à habitação. Este valor é bastante inferior ao verificado entre 2003 e o Verão de 2008, onde as novas operações superavam os mil milhões de euros por mês.
Ainda assim, é o segundo mês consecutivo em que se assiste a um aumento na concessão de crédito para a compra de casa, segundo os dados do Banco de Portugal.
A economista do BPI, Teresa Gil Pinheiro, considera que esta evolução é “ positiva”, apesar de ainda ser cedo para tirar conclusões.
A evolução poderá indicar que “o mercado está mais dinâmico” e que os “bancos estão menos restritivos na concessão de crédito”, ao mesmo tempo que a procura poderá estar a aumentar.
Ainda assim, a responsável considera que ainda é cedo e que serão necessários mais dados para saber se esta é uma tendência definida.
Apesar dos novos empréstimos à habitação estarem a aumentar, o ritmo de crescimento homólogo está no nível mais baixo desde Abril de 2004. A taxa de variação, face ao mesmo período do ano passado, desceu, em Março, para os 2,7%, longe do ritmo de 10% observado no final de 2007 e início de 2008.
Esta evolução é justificada, em parte, pela travagem brusca que se verificou no final do ano passado, devido a falências de bancos nos EUA e no Reino Unido e aos receios de que novos casos pudessem surgir.
O mercado de crédito congelou, com os bancos a não conseguirem financiar-se, e isso traduziu-se também nos empréstimos.
A inversão de tendência nota-se também nos financiamentos ao consumo. As instituições emprestaram313milhões de euros para compra de bens de consumo, como computadores e móveis, em Março.
Mais do que no mês anterior. Já a taxa de crescimento homólogo fixou- se nos 6,6%, o que compara com os 13,2% verificados em Março de 2008.
Crédito a empresas aumenta
Não foi apenas nos particulares que se assistiu um aumento na concessão de crédito. Os novos empréstimos a empresas também cresceram, em Março, interrompendo assim uma tendência de quebra registada nos últimos meses.
As instituições emprestaram 4,2 mil milhões de euros, em Março, às empresas, um valor que compara com os 3,6 mil milhões de Fevereiro.
Ainda assim, quando comparados com os volumes concedidos em igual período do ano passado, continua a verificar-se uma travagem.
A taxa de variação homóloga dos créditos às empresas foi de 7,6%. Um ritmo que fica aquém dos crescimentos a dois dígitos verificados no final de 2007 e em 2008.