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02 Mayo 2008
Um estudo do Banco de Portugal concluiu que o Estado gasta demasiado nas políticas de apoio ao desemprego de longa duração e não consegue resultados visíveis com essas medidas.
Os investigadores analisaram dois programas de combate ao desemprego criados durante o primeiro governo liderado pelo socialista António Guterres, numa altura em que Ferro Rodrigues era ministro do Trabalho.
Para além do Inserjovem, para desempregados com menos de 25 anos desocupados há mais de três meses, na altura foi também criado o Reage, destinado a pessoas com 25 anos ou mais, desempregadas há mais de seis meses.
A análise revelou que, só no ano de 1999, o Estado gastou mais de 90 milhões de euros para conseguir uma redução média de 12 dias de desemprego.
Os dois programas previam a ajuda na elaboração de currículos, aconselhamento, formação profissional, elaboração de um plano pessoal de emprego, visitas regulares aos centros de emprego e o fim do subsídio em situações de recusa de trabalho ou incumprimento de obrigações.
Segundo o estudo, os dois programas tiveram efeitos quase nulos, sendo que as medidas que obtiveram melhores resultados foram as aplicadas a desempregados com idades compreendidas entre os 30 e os 40 anos, que viram a duração média de desemprego ligeiramente reduzida.
Por outro lado, os investigadores do Banco de Portugal informaram que os desempregados com mais de 40 anos não ganharam nada com estas medidas.
Para os analistas, o fracasso destes programas ficou a dever-se à falta de subsídios do Estado aos salários pagos pelas empresas, ao contrário do que aconteceu na Suécia e no Reino Unido.
Os investigadores defenderam ainda que as melhores políticas de apoio à procura de emprego são as que conciliam subsídios salariais com formação e ajuda na procura de emprego.
As conclusões deste estudo mantêm-se actualizadas, uma vez que as novas regras de acesso ao subsídio de desemprego são semelhantes às analisadas no estudo.
TSF Online