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Governo resiste no aval ao BPP antes das eleições

04 Junio 2009

Portugal

Imagen de Governo resiste no aval ao BPP antes das eleições

Banco de Portugal e CMVM foram apanhados de surpresa com demora do Executivo, em dar cobertura ao fundo para gerir 1,2 mil milhões em poupanças do "retorno absoluto". Comissão Europeia convida cliente do banco a contar os seus problemas em Bruxelas.

O Governo tarda em avalizar a operação de resgate dos clientes do chamado "retorno absoluto" do Banco Privado Português junto de seis bancos, o que está a surpreender a CMVM e o Banco de Portugal e a retirar espaço de manobra aos banqueiros. O Executivo pretende anunciar uma solução só na próxima semana, após as eleições europeias. Com os clientes irredutíveis à porta do banco, em Lisboa, a Comissão Europeia, em e-mail , convidou um deles para se deslocar a Bruxelas.

A Comissão - através de um director da unidade das instituições financeiras, em e-mail a que o DN teve acesso - pediu um encontro para a próxima sexta-feira mas, em resposta, Carlos Cardoso, o cliente que tomou a iniciativa de contactar Bruxelas alegando dificuldades financeiras, convidou o alto quadro da Comissão a deslocar-se a Lisboa. "Vamos pedir que se desloque a Portugal para que possa conhecer mais 300 casos iguais ao de Carlos Cardoso", relata Ruy Ribeiro, um dos lesados do retorno absoluto.

Ontem falhou um acordo entre clientes e Governo, intermediado por Adão da Fonseca, presidente em exercício do BPP, para desmobilizar a acção dos clientes em Lisboa. O acordo envolveria uma declaração do secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, "apontando pistas" aos clientes, para os desmobilizar. Irredutíveis, estes não foram receptivos e continuam a exigir a demissão de Adão da Fonseca, com o objectivo de pressionar o Governo.

Desde terça-feira, uma centena de clientes permanece, em regime de turnos, nas instalações do banco, em Lisboa. "Vamos continuar aqui até sermos recebidos pelas autoridades", diz Durval Padrão, de Braga, enquanto planeiam outras iniciativas (ver texto em baixo).

Os banqueiros estão receptivos a gerir as carteiras dos clientes, mas "fizeram sentir" a Teixeira dos Santos "a preferência pelo uso de um aval do Estado" para gerirem a sociedade de titularização ou um fundo especial de investimento. Ambas as soluções, de acordo com o plano desenhado pela CMVM e o Banco de Portugal, prevêem o uso "unidades de participação", para oferecer maior liquidez ou mesmo servir de garantia para créditos.

Em resposta, tal como o DN ontem revelou, Fernando Ulrich, líder do BPI, afirmou que o Governo "deveria comprar os títulos que estão na carteira dos clientes" , considerando que o Estado "não terá prejuízo nenhum", bastando apenas "fazer a gestão do tempo".

Teixeira dos Santos está a surpreender a supervisão - CMVM e Banco de Portugal - por ainda não ter tomado nenhuma decisão, já que o seu gabinete acompanhou a construção das soluções. As Finanças nada adiantam e o silêncio é explicado pelos observadores com "as eleições", já que qualquer solução "terá sempre um aproveitamento político".

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